Avola, 05 de fevereiro do sétimo ano.
De uma maneira geral chamamos de “ética micronacional” a prática de um indivíduo, micronacionalista, se manter íntegro e fiel ao que ele alega de si. No campo micronacional, assim como em qualquer campo virtual as sociedades que se desenvolvem possuem, todas elas, um específico ponto de fragilidade: a realidade atrás do virtual. Este ponto de fragilidade, que por vezes é explorado por pessoas de má índole, surge naturalmente no universo virtual em função da principal característica deste universo, a virtualidade.
Na realidade comum, ou universo não virtual, que geralmente chamamos “macro” e que se identifica como sendo o mundo comum, geográfico e tangível à nossa volta, com suas casas, ruas, empresas, escolas e todas demais construções há, em virtude desta natureza tangível, um certo contato contínuo entre os seus integrantes. Isso faz com que exista uma dificuldade natural em se quebrar certas regras. Neste mundo macronacional para que uma pessoa passe por outra faz-se necessário uma série de empenhos. E para tanto existem as leis destinadas a regulamentar e as penas destinadas a punir aqueles condenados por crimes como falsidade ideológica e falsificação de documentos.
Já na realidade micronacional, e em qualquer universo virtual, a falsidade ideológica assume uma singularidade. Nos universos virtuais a construção de um “personagem” é o que forma os integrantes das teias sociais. E esta peculiaridade permite que uma mesma pessoa crie, se de sua intenção, vários personagens. Nas estruturas sociais virtuais, onde a boa índole deseja pressupor que cada um ali seja uma pessoa distinta, a realidade mostra que a situação não satisfaz este desejo. As redes sociais virtuais são contaminadas por dezenas de milhares de cidadãos virtuais que, na verdade, não existem. Estes cidadãos virtuais são apenas criações virtuais e falsas de pessoas que entendem ver nesta prática qualquer coisa de produtivo.
Em muitas redes sociais virtuais esta prática é tão comum que talvez existam mais destes “personagens fantasmas” que personagens correspondentes diretos aos seus moldes reais. E assim, e sob o véu do entretenimento, esta situação em muitas redes sociais não é propriamente condenável, de maneira que para estes “usuários fantasmas” apenas surge a alcunha de “falso”. Ou, como esta aberração do brasileiro médio em sempre querer copiar a cultura outros países, “fake”.
Já nas sociedades virtuais que se desenvolvem nas micronações este tipo de atitude chega a ser mais repudiada que a própria correspondente no macro. Assim as sociedades micronacionais desenvolvem leis para regulamentar esta atuação e penas para punir aqueles que realizam este tipo de ato. No micronacionalismo esta prática é conhecida como “crime de falsidade ideológica” e “paplismo” (sendo o “paplismo” o ato de, uma pessoa, estar em uma micronação com um dado personagem, e, entrar em outra micronação usando outro personagem distinto, criado por ela). Ambas estas práticas são enfaticamente combatidas por micronacionalistas sérios, punidas e consideradas ações criminosas graves em, praticamente, todas as micronações.
De maneira análoga ao universo macronacional, no micromundo, utilizar o mesmo endereço “IP” significar usar os mesmos documentos, o mesmo talão de cheque, o mesmo cartão de banco. E para tanto passa a existir uma justificativa, notem que para que duas pessoas usem um mesmo talão de cheques sem constituir crime é necessário que tenham uma conta conjunta, que o banco emita os cheques com estes dados e que nos sistemas estejam cadastrados ambas as assinaturas, e dados de registro de ambos os correntistas. Mantendo a analogia uma pessoa dentro de uma civilização macro, de maneira saudável e lícita, só passará por outra quando em práticas culturais como o teatro, ou atuando de alguma maneira com o objetivo de constituir um personagem mas, assegurando a todos, sua identidade real.
É importante, para os micronacionalistas, sejam eles inexperientes ou experientes refletirem sobre os cuidados a serem tomados em cada caso. Assim como cabem às micronações buscarem sempre desenvolver práticas mais saudáveis, e melhores meios de combater as práticas de “paplismo” e, chamemos aqui, falsidade ideológica virtual. É importante que os micronacionalistas informem seus objetivos reais e esclareçam as autoridades micronacionais sobre casos de contas conjuntas, de uso de mesmo endereço “IP”, e, principalmente, é saudável que os micronacionalistas entendam serem íntegros e fiéis ao que alegam.