Avola, 25 de novembro de 2009
Aquele dia nascera exageradamente ensolarado, como qualquer dia de um verão tão expressivo. Os pássaros procuravam sob as folhas algum abrigo e um ar quente preenchia a paisagem de Avola. Em dias como aqueles, e naquela época, camponesas mais jovens corriam para os riachos para se refrescarem enquanto suas mães aproveitavam pequenas cascatas para lhes ajudar com as roupas. E os homens, sérios em sua labuta, buscavam atividades menos desgastantes enquanto cuidavam para que as criações não sofressem em demasia com aquele clima. Até mesmo os magos se permitiam túnicas mais leves, e as crianças, que se negavam categoricamente permanecer nos interiores, ganhavam os bosques em busca de aventuras. E foi próximo ao castelo que uma destas aventuras ganhou notoriedade, e passou para o pergaminho, pelas mãos dos escribas, para que, ainda hoje, ela se torne viva!
A tarde se precipitava para o fim, algumas jovens que outrora se banhavam em uma cascata, já vestidas com suas roupas, saiam do riacho e iam seguindo para a trilha que as levaria ao castelo. Ocultos, por uma rocha, pouco acima de tal cascata, três crianças, sendo dois garotos e uma garota, que ali haviam se escondido para observar as jovens, riam consigo por não terem sido descobertos em sua travessura. A ultima daquelas quatro jovens que seguiam para o castelo já havia desaparecido na trilha, e apesar de serem dias longos aqueles, a claridade já não mais ostentava imponente vigor de outrora. E as crianças desciam, cuidadosas, as pedras que as separava do riacho, que teriam que atravessar para pegar a trilha para o Castelo.
O mais novo, entre aqueles três, e que ia à frente do grupo, se escorregou em um musgo, caindo de costas e a pouca altura em uma pedra lisa. O acidente servira inicialmente apenas para a garota que vinha logo atrás, e o mais velho, que ainda não começara a descer dessem boas gargalhadas. Mas enquanto estava de costas, olhando para as paredes rochosas que se estendiam dezenas de metros acima, aquele garoto viu um brilho, um brilho dourado e forte, vindo das pedras mais próximas do topo.
O garoto se levantou rápido e tratou de mostrar para os amigos a direção onde vira tal brilho, e no momento em que os três olharam para cima na tentativa de vê-lo, viram não só um brilho que persistia, mas também a sombra do que parecia duas grandes asas, aparentemente fundir com a parede rochosa. Imediatamente o mais velho colocou a tentar subir as rochas na direção no brilho, estava determinado a chegar no dizia ser um ninho de águias!. Ele dizia, persuadindo os demais para segui-lo, que em um ninho daqueles poderiam encontrar filhos de águias e se os encontrassem assim, novos, poderia pedir a seu pai, mestre em falcoaria, que lhes ajudasse a treinar o filhote. Os olhos do mais novo brilharam com a possibilidade de ter uma águia adestrada, e sem ligar para os protestos da garota, tratou de apressar em direção ao topo.
Se esgueirando pelas pedras foram, o mais velho à frente, o mais novo logo atrás, entusiasmado e a garota, protestando que não era uma boa idéia se esgueirar naquelas pedras àquela hora. Quando já próximos de seu destino um obstáculo natural impediu ao mais velho de continuar. Tudo parecia acabado e o grupo já pensava em como iram voltar até que a inclinação da luz, modificada pelo movimento do planeta, fez com que um tipo de ninho ficasse visível , um ninho como nunca haviam visto antes, feito em um tom dourado, escurecido. E nele, por alguns segundos, um pequeno bico passou percebido. Aquela cena encheu de esperanças o mais novo, que com a ajuda do mais velho conseguiu se esgueirar pela barreira e se colocou a se arrastar em uma estreita rachadura na rocha, tentando se aproximar do ninho.
De súbito, escorregou, e deslizando na direção onde seus amigos estavam se agarrou em uma rocha ficando pendurado, com os pés balançando ao ar e gritos de desespero. Aflitos, seus amigos se perguntavam o que fariam, era tarde, não havia tempo para chamar socorro e mesmo que alguém aparecesse no riacho abaixo, não lhe seria possível chegar antes que o mais novo caísse. A garota então subiu nos ombros do mais velho e conseguiu se esgueirar pela passagem, agradecendo pela primeira vez na vida por ser demasiadamente magra. Ela rapidamente alcançou seu amigo, lhe estendendo a mão. As pedras eram escorregadias, o crepúsculo se fazia presente, e a força da garota parecia não ser suficiente para puxar seu amigo. Até que ela conseguiu se deitar e conseguindo um apoio conseguiu, a grande custo, puxar seu amigo. Ele se agarrou nas pernas de sua amiga e foi subindo, desesperado, até conseguir se firmar em um pedaço de rocha. Então o mais novo volto para onde estava o mais velho, e a garota, dando uma ultima olhada em direção ao ninho, viu ali algo que não conseguia visualizar completamente, curiosa, deu um pequeno passo para tentar ver melhor. Foi quando uma pequena pedra cedeu, e a que estava sobre ela se soltou e a garota caiu soltando um grito alto e agudo em direção às pedras, dezenas de metros abaixo. O grito chamou a atenção de um mago que, ocasionalmente, acabara de surgir às margens do riacho. Mas era tarde para ele fazer qualquer coisa, havia apenas o grito, e um corpo vindo abaixo.
Mas o mago viu uma sombra, grande e terrível, sair das pedras e mergulhar em direção a aquele corpo que caia, encontrando-lo quase no mesmo instante em que ele encontraria o solo de pedras abaixo. E da penumbra um grifo, imponente e austero, saiu com um bater de assas, trazendo a garota segura em suas garras. O grifo parou em frente ao mago e lhe estendeu a garota que, apesar de muito assustada, possuía apenas alguns arranhões, alguns proporcionados pelas garras da criatura. O grifo soltou forte guincho, tal como o de águias, e com poucas batidas de asas retornou para as sombras que ocultavam seu ninho.
Líryan Kawsttryänny Umbrio
Conte d´Avola